quarta-feira, 16 de março de 2011

Análise de uma lágrima

A vida é uma lágrima de alegria
que ilumina as águas do horizonte
em chamas ardentes que proliferam nas fontes,
a dor dos sentimentos religiosos em alegoria.


De uma noite que sorri
batendo o pulso ao chorar,
ouvindo a melodia ao deitar
das infâmias que vivi.


Tudo se embala nos momentos
que invadiram o teor efêmero e prolixo,
engendrando mentira, mas fixo
às orações imaginadas em meus pensamentos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Verbum pro Martius

Fevereiro se foi com louvor. Começa-se aqui uma nova expectativa repleta de trinta e um dias em glorificação à Marte, ao Sol, a Deus; visto que a cada crepúsculo os cardumes astrologicamente (re)inventam novos prazeres e argumentos solidificados. Março adentra para restaurar esperanças, criar laços, construir novas pontes do saber, escolarizar o “feio” e o “belo” numa única fermata e acordeom.
Não haverá dislalia nem dislexia que suporte ao poder das escrituras, já que a pena e o tinteiro juntos sacramentam a tessitura e registram sabiamente o cotidiano. Paulatinamente, resenhar a vida e documentar o desejo do coração gera um novo discurso e tudo acontece nas entrelinhas.
Assim, viva as entrelinhas por sua retórica sub-reptícia e adjacente.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mimeses

Reproduzirei a realidade
por meio da retórica,
imitarei o amor,
contemplarei o belo,
serpentearei a poesia
através da graça,
dos devaneios loucos,
percebida pelos sentidos.
Liberto todas as emoções,
verdadeira catarse se transforma
para ludibriar minhas sinestesias.
Será que encontro minha outra face
escondida em algum espelho?
Ausências aparentes
hão de transformar em presença.
Desde o advento do mundo poético
há uma tendência clara em privilegiar-se
o aspecto performativo
escondido dentro dos corações.
Assim, se constrói minha
atividade cênica,
minha música,
minhas vontades de modelar
e de imitar o que se encontra
no mundo artístico
de minhas loucuras quase funestas.

domingo, 13 de março de 2011

Haicai do toque



Apalpe meus seios
deslizando devagar
para obter prazer.

sábado, 12 de março de 2011

Devassa

Que tal encontrar uma poesia desregrada?
Nada de métricas e medidas,
com versos brancos, nulos
soltos e livres,
que infrinjam o saber,
que apresentem um novo eu
com suas devidas alteridades poéticas
e que a face do poeta depravado,
dissoluto, libertino, ingênuo,
prosaico, puro, virtuoso
- um oximoro perfeito! -
transfigure o artista elíptico em descontraído,
ator de si mesmo
e do mundo que o espreita
pois ele deseja encontrar sua imagem,
dividida entre o binômio
devasso versus santo.
Onde será que se encontra este rosto
repleto de lassidão
e com cheiro de absinto?
E tudo mudou,
modificou completamente
e se transformou num outro ser:
desencanado, desinibido,
ausente de mim,
fora da lei
e assaltante de palcos
inebriados e contagiantes,
que se perdeu,
pouco a pouco
pela falta de compostura.
Um brinde ao seu lado devassa!

sexta-feira, 11 de março de 2011

“São as águas de março fechando o verão”


O sol escaldante de verão expirou. Agora se encontra iminente os dias chuvosos para fechar a estação atual com chave de ouro. Os ares mudaram com as águas de março. Surge um clima suave de calor e tudo se torna ameno. Aquela “lua cheia amarela” deixará saudades para os admiradores do Rei Solar, visto que muitos se bronzearam de forma explícita e elíptica.
À proporção que a chuva adentra-se, começa os preparativos para a lavagem da alma e do coração, pois a página da vida vira-se para surgir um novo belo horizonte. E aos poucos se bordam as novas promessas com lindas imagens plácidas para que o caminho chegue ao fim e para renovar a fonte do real em lindas fantasias.





quinta-feira, 10 de março de 2011

girassol

gira
sol
gira sol
girassol
é formidável ver você
rodar
rodopiar
movimentar
no céu
girassol
gira sol
gira
sol.