domingo, 3 de abril de 2011

Frenéticas

Agitado,
rumoroso,
convulso,
irrequieto,
pressuroso,
inquieto,
comovido,
estremecido
foi nosso jeito de se exprimir
diante de um mundo burguês.
Entraram no camarim,
num copo e outro de gim,
se maquiaram e se embelezaram
para homenagear o público
que lhe esperava enternecido.
Solte a sua fera,
agora chegou o momento
de cair na gandaia
e entrar na grande festa de arromba:
plumas, paetês e metáforas.

sábado, 2 de abril de 2011

Palavras aladas

Palavras aladas
perambulam como noctívagos,
batem asas e voam
em busca de um destino:
corações afoitos.
Mas uma redoma de vidro
não as deixa escaparem
nem terem seus livres arbítrios.
Tudo é perecível!
Como proferi-las com êxitos?
As bocas estão coladas,
lacradas, seladas, estampilhadas
e repletas de salivas
prontas para exprimir
variedades de sons inexequíveis.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Chuva de abril

Pinga, pinga,
pinga chuvinha,
pinga, pinga,
chuvinha de anil,
chuva de abril,
pinga, pinga,
pinga marcado
a canção do amor:
DIM DOM! DIM DOM!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Alimento

Beijos, afagos, carícias
acumulam-se
em atos desenfreados.
Se eu abrir a janela do quarto
você deixaria a cigarra entrar e cantar?
Não saia mais do tom,
desfrute de paixões avassaladoras.
Chamem os beija-flores
para se alimentar de néctar
na palma de sua mão.
Que haja a transubstanciação
de palavras, pólen e mel.

terça-feira, 29 de março de 2011

Itinerário

Na tristeza se constrói
as lindas histórias sem direção...
Não há rumo algum!
Perambulo agora em meu inconsciente
com devaneios loucos...
Qual itinerário seguir
após lágrimas jorrarem
por causa da ausência do amado?
Quantas lições ainda temos que aprender
para conquistar nosso espaço
e respeitar nossos corações?
Os questionamentos borbulham
concomitantemente.
Nada mais apraz a voz
que emana a criação do amanhã.
Há uma esperança de vida,
um novo tom de uma canção,
uma nova inspiração,
que está no ar
para reivindicar
por novas sinestesias
ao alcance de todos
e de mim mesmo.
Meus personagens
almejam por novos alicerces,
sem hesitar quimeras,
num esplendoroso teor magnético
que possa juntar almas
e libertar das prisões do medo e receios.

segunda-feira, 28 de março de 2011

MEME LITERÁRIO


É com muito prazer que respondo ao Meme Literário que me foi enviado pela Gisa do blog Ler, escrever e viver – http://lerescrevereviver.blogspot.com/

Vamos aos questionamentos:
1) Existe um livro que você leria várias vezes sem se cansar?

Realmente é muito complicado escolher um livro para ler várias vezes, embora tenha lido a obra A Moreninha do Macedo várias vezes para a dissertação de mestrado em busca de sarau. No entanto, confesso que a obra A Cabana me emocionou muito. Acho que ficarei com a emoção.

2) Se você tivesse que escolher apenas um livro para ler para o resto da sua vida qual escolheria?

Adoro o século XIX e amo os clássicos, principalmente Machado de Assis; portanto, fico com Memórias Póstumas de Brás Cubas, uma vez que se trata de um livro ousado, inteligente e cheio de metalinguagem.

3) Indique três dos seus livros preferidos.

Helena de Machado de Assis;
Perdas e Ganhos de Lya Luft;
Alguma Poesia de Carlos Drummond de Andrade (meu poeta predileto)

4) Indicar 10 blogs.

Difícil esta escolha! Dez é um número muito restrito! Regras são regras, então com as devidas desculpas aos demais indico (compreendo a falta de tempo de todos, não se sintam obrigados em responder, mas se puderem adoraria conhecer um pouco mais de todos vocês):

6)- Luciana Fresz (http://lufreesz.blogspot.com/)
7)- Leonardo Davino (http://medindodias.blogspot.com/)
9)- Kiko Riaze (http://kikoriaze.com/)


5) Mencionar quem indicou:

Muito obrigado pela indicação Gisa (http://lerescrevereviver.blogspot.com). Saiba que foi um exercício prazeroso de se fazer, mas eu tinha tantos outros blogs para indicar tal façanha literária que não acho justo em não pô-los. Por isso, também gostaria de pedir desculpas a quem não listei aqui e quem lesse e quisesse participar da brincadeira, sinta-se à vontade para adentrar neste universo autobiográfico. Aproveite para levar o selo quem desejar participar da brincadeira!
Muitos beijos entremeados de metáforas e abraços fraternos, queridos amigos! E obrigado pela atenção.

domingo, 27 de março de 2011

Amor sabor de flocos


Até pensei que nosso amor
fosse uma orquestra sinfônica:
cheio de instrumentos,
com vários ritmos desenfreados
mas ajustados ao nosso sentimento
quase louco...
Realmente descobri que tal amor
parece um sorvete de flocos,
com bastante calda caramelada de suspense
de entrega e de desejos insanos
coberto por marshmallow do bel-prazer,
pois seus meros toques entremeados
de chocolate derrete na boca
e funde-se com a nata
para aprimorar nossos devaneios
quase alucinados...
Acho que sou piegas por te amar
tão demasiadamente assim.
Trata-se de um frisson inenarrável:
paixão, idolatria, bang bang e Hiroxima.