sexta-feira, 7 de maio de 2010

Dom


Cada momento perceba a grande ferida
que há em seu coração.
Sinta vontade de ver a estrela brilhar.
Doerá todas às vezes
que as núpcias do cordeiro se esvair.
A razão é prudente demais
pois procura o dom da paciência.
Mas permaneça em sua vocação.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dadaísmo: por que não?

Doce abandono, doce religião
O canto desta cidade é meu
Água viva
Festa à Iemanjá
Papel crepom
Semínima, laranjada
Gugu-dadá.

Os corvos-reis

Quase madrugada... De repente o relógio bate acelerado perdendo suas cordas e seu poder digitalizador de almas escuras. Os noctívagos saem para caçar seus amores por meio de uma penumbra. Tudo parece escuro e assustador; no entanto, de longe, percebe-se o clamor dos maravilhosos corvos-reis. Estes protegem o silêncio dos inocentes contra os malfeitores do som.
Os corvos sobrevoam ao redor do espantalho a fim de guardar a sua essência, visto que os noctívagos organizam-se em bandos sonoros para expelir sua gosma de pus e desraigar maus odores. Infelizmente, são sanguessugas que geram osteoporose. Eles mudam de faces e se escondem por meio de bebidas, de tons ébrios, de mochilas e tecnologia.
Durante horas eles podem escutar as vozes dos escribas, porém os corvos-reis transformam-se em grandes deuses da mitologia e saem das escrituras ganhando vida e sede para conceber germes ao redor do espantalho.
A noite escura vem como fel, todavia os corvos num bailar de belas plumagens grasnam para corromper os sons oriundos de uma mística hipócrita que não consegue transcender nem assuntar-se ao clamor dos noctívagos.
Os corvos são fortes defensores, pois driblam os açoites e encarnam Deus. O espantalho se locomove, assim, sabendo dos passos dos noctívagos e que eles tornaram-se mutantes à luz solar.
Não há estrelas no céu nem vaga-lumes para iluminar o caminho do espantalho. Mas os corvos-reis fortificam-no para esmorecer os noctívagos em suas falsas filosofias e pensamentos.
Como é surpreendente a inteligência dos corvos-reis ao redor do espantalho, pois se apercebe a luz infiltrada em suas penugens escuras. São lindas penas! Seus dorsos metaforizam novas ideias e ideais. O espantalho, por sua vez, tem a impressão de que o horizonte não há fim nem rupturas, já que os corvos-reis mostram-no o verdadeiro caminho. Não obstante, devido à luta diária e noturna, a batalha se torna árdua. Só se sabe que os corvos-reis desmistificam a ojeriza dos noctívagos a fim de elucidar os movimentos do espantalho.

Festa no Céu

Dois cisnes bailavam
envoltos encontravam-se os enamorados.
Um elo significativo.
Aliança mágica,
coração de penas
imutável, translúcido,
metáforas do amor supremo.


Na escuridão, vaga-lumes iluminavam o céu.
A corrente sangüínea ardia em chamas
com a mutação
e o verbo apaixonou-se por seu objeto,
retórica da imaginação
torna-se sinestesia de seu complemento nominal.


O mundo se abre perante o Universo do Saber.
Demarcação filosófica,
instante de conhecimento poético e virtual,
doce umbela, volúpias e amor desejado
diante de algumas alteridades
que o coração impõe
mesmo além da imaginação.


Assim, tanto cisnes e vaga-lumes bailavam
enquanto grandes e inevitáveis acordes
mas no tom de algumas quimeras
cintilando a preciosa essência
que envolve a paixão
e toda a sua conseqüência
o céu se abre e festeja seus momentos sublimes.

Em falar em diabo

Em falar em diabo
– despejando seu fogo ardente –
parecendo um anjo
voando no céu
com todo arpejo de cifras melódicas.
Lá vem ele agora
contando suas anedotas populares
contra aqueles que rezam
em seu favor.
Risos. Desafetos.
Inteligência emocional.
Brincadeiras eróticas.
Lá estava ele enfeitiçando
as pessoas de tesão.
glitters

Imagem de um Gota D’água

Imagine um poço no meio do deserto.
Imagine um rio cheio de lágrimas.
Imagine o Filho de Deus pendurado na Cruz.
Imagine alguém que se veste feito gotas.
Porém, não se multiplica,
Triplica-se e faz a paz girar
E os corações a se abrirem.
Sua imagem é a mesma Daquele
Que morreu de braços abertos.
E tudo isso: “Por amor a você!”
Imagine seu reflexo no espelho.
Com efeito, aparece um anjo.
Este guarda a Fonte da Vida
E jorrando no seu peito a libertação do amor,
No qual seríamos e teríamos como grande símile.

Metáforas

Mãe das mães
Conjunto de ideias cognatas
E figurativas.
Senhora das estrelas cadentes
E da camisa Rubro Negra
Falácias
Dialetos
Aliterações
Concordância plena
Similaridade
Trata-se de uma transferência de significados
Que se dá entre dois amores
São tantas contradições, exageros
Nem a depressão consegue suportá-la
Na verdade é uma esmeralda:
MINHA VIDA!