sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quintilha amorosa

O tempo passa e não o vejo
As ideias chegam e se desmancham nas nuvens
Como um colibri desvairado sinto-me retraído
Por amores infinitos, abstratos, sonoros...
Estupidamente afrodisíacos.


O vento se espraia deliberadamente
Abrindo caminhos escondidos
Recitando misteriosamente o AMOR
Envolvido na fonte da eternidade
Retornando ao princípio mágico da vida.













Tento libertar-me desta paixão
Sedenta, sórdida, execrável, fictícia...
Lembranças estonteantes, cheias de aventuras
Levavam-me sempre a lugares perdidos
Dos meus sonhos platônicos.


O sentimento tomou-me por completo
Afogou-me no oceano de minhas próprias lágrimas
Lágrimas de desejos derramadas por você
Que deteriorou meus sentidos
Fez-me sentir inferior.

 










Um dia, hei de acordar e
Viver todos os momentos intensamente
Com significado e valor de uma lição de vida.
Num piscar de olhos irei
Readquirir minha natural idiossincrasia.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

A sociedade brasileira e o racismo


Apesar de nos encontrarmos no século XXI, o racismo ainda existe no meio social em que vivemos mesmo havendo leis que o reprimem.
Na sociedade brasileira, ele aparece sub-reptício, levando o povo a não questionar diversas situações de preconceito que, para quem impõe, parecem comuns e naturais.
No Brasil, ele é imposto, dentre outros, através dos meios de comunicação e por grande parte de pessoas, para a qual o negro é tido como segunda ou sub-raça.
Com efeito, é comum assistirmos a filmes e novelas, bem como aos seriados de TV, onde o negro é colocado sempre em situações inferiores. É raro um programa televisivo que coloque esse negro como parte da minoria social que se considera prestigiosa e que por isso detém algum poder e influência na sociedade elitista brasileira. Mesmo que seja só no teatro, na novela. Aí, também, sua atuação é sempre no desempenho de papéis de segunda categoria.
Num país como o Brasil, onde o racismo é tido como crime inafiançável, é lamentável que as leis existentes para proteger o cidadão negro são, maioria das vezes, ineficazes no alcance de seus objetivos. Discrimina-se o negro ainda que sutilmente.
Repudiar essa situação tão grave quanto cotidiana é assumir um compromisso diante de um povo que vive às margens de uma sociedade medíocre e autoritária que ainda julga as pessoas pela sua cor.
Como cidadãos brasileiros, devemos nos empenhar em fazer cumprir as leis que punem aqueles contrários à nossa constituição, comentem esse tipo de crime, são racistas.
Infelizmente, temos que reconhecer que o racismo em nosso país está longe de ser extinto, isto porque ainda existe grande parte de pessoas que são privilegiadas por essas leis ineficazes.





quarta-feira, 30 de junho de 2010

Atenção: roda o baleiro!

Comprometa-se com o baleiro. Faça-o rodar, girar bastante e, assim que parar, escolha a bala mais gostosa do planeta. Veja, também, sua sorte chegar e acontecer. Ponha-a na boca e saboreie-a. Assim perceberá os pequenos prazeres que a vida lhe proporciona.
Roda baleiro. Atenção! Quando parar ponha a mão e rejuvenesça, mesmo que seja pura imagem virtual.


terça-feira, 29 de junho de 2010

No meio do caminho tinha um ônibus...

Simplesmente há morros em minha volta. Nunca imaginei escrever dentro de um ônibus com pessoas desconhecidas falando, rindo, ouvindo música em seus MPs.
A paisagem bucólica de Laranjais conquista-me com seu verde ressecado. Uma campainha horrorosa toca para avisar a partida. De volta à estrada, a letra estremece devido ao movimento do veículo coletivo. Pessoas de todas as idades entram e saem a cada lugar que passamos.
É interessante assistir aos cavalos galopando pela estrada de terra, ao gado em seu pasto se alimentando, aos trabalhadores cultivando a terra e às belas árvores pelo caminho. Tudo é uma perfeita calmaria em movimento. Parece arte primitiva querendo se transformar em roça, desenhando, ponto a ponto, a natureza. Isso leva-nos a crer que a vida pacata e simples do campo era valorizada para mostrar a beleza natural dos grandes poetas neoclássicos.
À medida que a viagem acontecia, a grande aventura árcade se realizava e nos fazia penetrar no mundo de Alberto Caeiro, o grande Guardador de Rebanhos. Há metafísica o bastante para penetrar o cotidiano simples de cada ser, já que retrata o ser humano em sua essência.
Aos poucos, com o movimento excessivo do ônibus percebo a realidade negativa improvisada e inspirada pelos poetas árcades. Escrever e pintar a estrada tornou-se tarefa difícil, pois sentia náusea. Todavia não desisti e tirei a pedra do caminho para visualizar melhor o horizonte e chegar ao destino que conquistei um dia.

Promessa



Os louros da vitória,
sussurrou o poeta,
dependem do cumprimento
de sua promessa.
Quando a realizará
para sermos mesoclíticos?

domingo, 27 de junho de 2010

Mil e uma identidades

Falta-me inspiração para falar dos nossos encontros às escondidas. Foram tantas identidades que me perdi e não consegui retornar ao meu verdadeiro eu; por conseguinte, a cada fuga e a cada alteridade a alegria, o contentamento, o gozo, o deleite que buscava eram intensos a ponto de nortear tudo que era verdade e/ou mentira. Disfarcei-me para não sofrer e para desacreditar no que eu era de fato: obscuro e sombrio.
À proporção que me enganava e me iludia sendo outra pessoa, sofria com teu afastamento. Não queria que me visse sendo um outro ser: imagético e criado virtualmente para fugir de mim mesmo. Fui outros e outras porque precisava sair de meu ser a fim de satisfazer-te. Por mais que cada invenção fosse satisfatória e até prazerosa, sofria intensamente com tua ausência.
Tive que me desencontrar e me perder para ter a tua presença por perto, mas questiono sempre se realmente não é utópico e que teus sentimentos existem.
O pior momento não foi dar lugar a outros seres, porém deixar de ser eu. Saí pelo mundo a fora sendo vários e esquecendo de mim mesmo. Nunca se preocupava comigo, pois naquele momento eu não tinha a mesma importância que tua pessoa. Confesso que desacreditei em mim e no potencial que havia por trás de minha essência. Não me bastava mais viver, já que o eu e o tu não se harmonizavam mais. O que aconteceu comigo? Onde me acharei novamente? Onde estou? Aonde ir ao meu encontro? Qual identidade se aproximará melhor de mim e de ti?
Cada vez que me afastava de mim, não tinha a tua presença por perto para me afagar e acariciar meu coração. Esfriei-me por completo quando resolvi ser o que não sou verdadeiramente. Tive que inventar mil e uma utilidades para esse novo eu, morrendo-me paulatinamente e deixando de me importar com tudo que estava ao meu redor, inclusive com meu eu, porque os outros eram mais dignos de serem substantivados e, para cada um, criavam-se predicativos semelhantes à imagem que fosse engendrada.
Não existia nem vivia mais. Outros se apoderaram de mim. Alterava tudo à minha volta, visto que a cada alternância excluía-me excessivamente. E agora? Como procurar-me-ei? Serei fiel a essa forma excêntrica e descartável? A cada mil faces te amei. Juntas elas te amaram como se fosse eu. Todavia me dissolvi e tudo se diluiu ao vazio, ao caos, ao nada.
Máscaras inventaram muitos eus, ao passo que a imaginação fértil crescia. A cada passo dado sabia que poderia me deparar contigo em alguma esquina ou quarteirão, pois via a tua imagem a galopar indo e vindo ao meu encontro. O pior momento foi não saber qual identidade me caberia melhor para estar junto de ti, uma vez que foram tantas alteridades que os outros se tornaram mais importante do que os eus.
Enfim, parecia-me em um divã sendo analisado e questionado por ti. Enquanto ditava regras de sobrevivência para alguma personalidade enraizada no meu coração, fingia-me ser o que não era. Não obstante, o melhor de tudo foi saber que se preocupava comigo e que se importava com cada gesto, atitudes e ações minhas. Em comunhão permanecia nosso elo. Só espero que estejamos num perfeito anelo: sem movimentos cíclicos e com o amor que prometera para a construção de nossa história.


sábado, 26 de junho de 2010

A miragem

Não existem palavras que possam aprimorar o final. Nem a imaginação aprisiona a doce ilusão. Nada há sentido, pois tudo permanece vago, impreciso e indefinido. Será por quê?! À medida que o amor que sinto cresce, sinto vontade de gritar, mesmo sabendo que a dor pode sucumbir e derramar-se em lágrimas. Extravasar sentimentos até que eles se misturem ao entusiasmo, à alegria e à satisfação de viver essa história de grandes amantes poderá gerar uma exaustiva e forte ansiedade a ponto de baixar a autoestima. Desejo-te tanto em minha vida, no entanto sei que estou a amar sozinho e sem nenhum elo coesivo a nos unir de fato. Por que falta um conectivo até nossos corações? Como fugir de mim e do que sinto? Será uma ingrata obsessão?
Receio, aos poucos, desesperar-me insanamente e não saber como aplacar tal abstração, uma vez que tudo aparenta remoto e quase sem vida.
O mais irônico é perceber que no fundo me ama, mas receia em assumir para si mesmo as promessas que um dia fizera. Quebraram-se copos e pratos e os vejo estilhaçados no chão, mostrando nossa face em pedacinhos de pensamentos, desafetos e desarmonia; porém, pouco a pouco, constroem-se em utopia e desassossego. Não há nenhum ato possessivo detrás disso nem mesmo obscenidades.
É triste perceber que seus lábios não grudam mais aos meus nem roçam minha língua como outrora, visto que nossas fantasias se misturavam e se entrelaçavam numa perfeita simbiose.
Mas eu deixarei que morra em mim a paixão que me enlouquece e me envenena, não obstante não mata. Queria voltar ao nosso oásis e senti-lo dentro de mim a fim de que nunca percam de vista tais emoções.
Assim que o dia amanhece, percebo a grande e tensa miragem que se fez entre nós. Surgem retóricas e alegorias ao lembrar da união de corpos que comprometiam árdua e plenamente nossa relação.
O cheiro sofre mutações porque não acreditávamos que o real pudesse, de fato, se concretizar em nossos caminhos. Então passa a ser simples essência e nada mais. Nosso odor não tinha mais importância nem significado, embora impregnasse em nossos poros a vontade de nos enlaçar, de nos contemplar, de ansiar e de mirar um exclusivo e magnífico alvo: o amor que roubara de mim; que fizera juras, mas não teve coragem de assumi-las perante Deus.
E como desobstruir tudo que sentimos um pelo outro? Não tenho resposta, no entanto seria maravilhoso que nossos sonhos voltassem a ser únicos e compartilhados. Ame-me bem baixinho e com cuidado a fim de que intensifiquemos o anseio por felicidades. Mas para isso precisamos nos (re)encontrar e nos fazer existir.