sábado, 25 de junho de 2011

Drummond, quanta saudade!

Sinto saudades do Drummond,
De suas caricaturas perfeitas,
De seus sonetos brancos e livres
E do “E agora, José?”

Sinto falta do sotaque mineiro,
das aventuras poéticas,
da nota de cinquenta cruzeiros
e da pedra que havia no meio do caminho.


Sinto inveja de seus versos,
Do expressar irônico de sua leitura,
Do erotismo decadente de sua postura.


Sinto n’alma o espírito vagar, stop:
A vida parou em claros tons e sons pornográficos
De rimas que viraram mito.

domingo, 29 de maio de 2011

Última nota

Mais uma nota para alcançar uma oitava. Situação complicada, complexa, pérfida e cheia de dinamite. Pura nitroglicerina que se transforma em Hiroshima. Um grande momento pluralístico repleto de emoções se construía na metáfora do violoncelo de Tardin (meu personagem na construção de uma (quase) narrativa, pois não há histórias e para subir um tom requer dom, artimanha vocal e expressividade com as frases feitas: não tem escolhas porque está condenado a mais um refrão. E assim se refaz a canção que na cidade se ouviu e se fez existir. Meu violoncelo se quebrou, partiu-se ao meio com desamor, desalentos e com promessas não cumpridas, com os loiros metamórficos num prolixo entoar de notas, num falso cantar destroçados pelos açoites musicais.
O paralelismo se mostra simetricamente à medida que tudo se desfaz com a aproximação da morte do verdadeiro acorde sonoro. A linguagem se torna ébria, se mistura a ficção para se autodespedir e despedir do mundo exterior a sua volta. Agora a prosa abraça os versos para numa bela simbiose mostrar o simulacro do adeus, visto que algo que existia se desfez, se corroeu e se perdeu numa grande ambivalência.
Ainda resta, nesse exato momento, uma voz que prende imageticamente a uma tessitura. Ela mata, aprisiona, degenera paulatinamente meu canto. Não há mais cantar, pois tudo se desafinou por completo após a emoção acabar. Grande coincidência sonora distribuídas em sete notas musicais! Tudo em busca de uma oitava, de um tom acima, de um amor nada solitário, que fora sucumbido e perdeu a direção. Onde está Tardin neste momento com seu instrumento de cordas a tocar? Foi-se. Traiu-me com a oitava nota, aquela que modificou o acorde com palavras menos amenas, e me deixou a mercê do poder dos desvalidos.
Enfim, houve um momento em que eu pensava no amor entre cordas e instrumentos, entre melodia e canção, entre imagem e tecido musical. A partir desse instante estou só, incomunicável por não deixar meu coração encontrar um novo arranjo musical. Parece um réquiem a me esperar e assim morro para mim mesmo, na mesma música que se repete pouco a pouco numa única composição artística, numa verdadeira e linda peça musical, que se harmoniza no silêncio.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Metáforas de minha vida X

Como poderia o menino
ser o pai do homem,
dos filmes engraçados,
dos palhaços que pintam
a criatividade e a imaginação?
As bodas poéticas nasceram
para unirem Eros e Psique
lírica e majestosamente
num elo sígnico
que dá vida ao Monte Olimpo.
O sol bate na porta,
no céu brilha uma luz,
que reluz seu olhar.
Uma bailarina beija meus lábios,
sua dança me seduz,
na relva,
com lágrimas de Aurora
que neste prado vê brotar
minhas metáforas.



Caríssimos leitores, há outro blog para apreciarmos e seguirmos Tessistura Poética com postagens de diversos colegas blogueiros e novos blogueiros. Confiram este espaço e dê aquela forcinha.
Abraço,
Jasanf.

sábado, 21 de maio de 2011

Os sete pecados

A ira do teu rosto me causa medo de viver
O seu orgulho assusta-me em grandes ânsias metafóricas
A sua avareza transforma o meu querer em solidão
A gula dos teus beijos me inspiram a sonhar
Sua luxúria propaga os desejos mais intrínsecos de minha alma
Pura carne selvagem!
A tua preguiça gera devaneios loucos e assustadores
E a inveja do teu corpo inspira-me a te venerar sempre

Será que irei para o inferno por te desejar?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lectando-me agora é (mais de) MIL

Saudações atemporais, Lectores!


É mister estamos juntos para brindarmos mais uma construção, mais um momento sublime de êxtase supremo de poeticidade que permeia contagem de tempo, fração de segundos, metáforas afora para enaltecer o companheirismo entre colegas blogueiros.
Sem a presença constante de grandes blogs e grandes colegas leitores esta caminhada não teria chegado até aqui, mas tudo indica que ela pretende ultrapassar barreiras, ganhar estradas da vida, nos bailes e nas canções entremeadas pela função metalinguística da linguagem. A todos que passam por aqui, de alguma forma, meu carinho e afeto.
Quero agradecer a todos que leem meu cantinho e que esteve nele deixando sua marca e saudar a colega Catia Bosso, e sua filha Lívia Garcia, pela homenagem poética feita em acróstico. A ambas meu carinhos e minha sensibilidade, ofereço.
Jasanf

Oscilar é algo comum na trilha do escritor!
Seus artigos, textos, poemas e afins,

Muitas vezes simulam atitude,
Instigam desafios e alçam plenitude.
Lucidez se distancia dele a olhos nus...rsrs...

Lacunas nas idéias? Sempre ausentes!
Escolhas de atos a serem degustados
Centralizados e refletidos...
Talento ou Design? Complexidade!
Ostentar uma luz muito brilhante,
Requer disciplina e carisma
Estou a falar de Jasanf e seu blog...
Siga você também...Já Somos Mil (1.000)... (Catia Bosso)


Otimo
Super

Maravilhoso
Interessante
Legal

Lindo blog
Espetacular
Completo
Ternura
Obra prima
Real
Especial
Sensacional (Livia Garcia)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um pouco de leitor labial

A articulação de sons
engendra ruídos sonoros
que mostram os movimentos
dos lábios entrelaçado
a uma (quase) metáfora,
palavras emitidas
por algum interlocutor
que são captadas pela leitura
e interpretadas por uma
mera sessão lábio inferior
movimentando-se ao superior.
Nele há a presença
da capacidade de uma intuição,
de reflexos harmônicos
que pronuncia o tom melodioso.
É de transmitir inveja
a quem não possui o aparelho.
O que você faria com um leitor labial?!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O sax

Os bastões suavizam a linguagem,
as almofadas descansam o som
recatado, encantado, sintonizado
de uma tessitura brilhante.
O homem determina sua propriedade
com precisão e canção serena
para entorpecer quem vagueia
alameda a fora.
Ele não tem salário nem emprego fixo,
fica a tocar nas ruas
ao som barítono de um saxofone.
Os transeuntes ficam embevecidos
com a tênue partitura
estimulada em frações matemáticas
num exuberante dó-ré-mi,
que se refaz e desfaz
nos segundos musicalizados.