sábado, 30 de julho de 2011

Fugidinha

Fogem palavras que invento
e que sussurram ao meu ouvido
paulatinamente.
Perco-me os sentidos
por meio de uma nuvem negra
que me agarra,
que me açoita
e maltrata a alma,
dilacerando-me os dons
do meu personagem de ficção.


Evaporam ideias que arquiteto
na minha mente quieta
e inexoravelmente
idealizada e bolada de prazeres
mais lautos.
Faço-me canção
para escapar do tédio
e jogo cartas
para obter a melhor canastra
e aos poucos me refaço por inteiro.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Carrossel

Voltei
para entoar
a nova
canção
de amor
din don
bate
o sino
pequenino
blim blom blem
nos
corações
aflitos
daqueles
que
acreditam
na metáfora
do vai-e-vem
do carrossel
da imaginação.
Escolha o seu!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Rei do Som

Todos os dias estava eu longe dos outros. Subia uma montanha com meu cachorro vira-lata e ficava debaixo de um arvoredo usando minha imaginação. Meus dedos se tornavam mágicos e ganhavam vida num movimento e acordes que soavam por toda cidade que eu morava.
Os moradores ficavam perplexos com aquele som, pois dele surgiam os rumores do vento, as vozes das lavadeiras no rio cantando e trabalhando, o galopar dos cavalos e o canto dos canários da terra a modificar os ares.
Enquanto os meus dedos se mexiam, o cachorro sentava paralisado a minha frente e com as orelhas franzidas, sem movimento a contemplar o som que saia dos meus dedos mágicos.
Tudo parecia fora do comum e do normal. Toda a cidadela ficava incomodada com os meus truques e me comprou de presente um violão. Eu acariciei a madeira listrada e de belo acabamento e disse:
- Que bom! Agora tenho dois.

sábado, 2 de julho de 2011

Ursinho Pimpão

Venha ursinho Pimpão
dançar comigo a noite toda,
alegrar meu coração
com seus loiros cachos
e enfeitar meus desejos da carne.


Venha ursinho Pimpão
conter-me de entusiasmo,
enxugar minhas lágrimas
que se encontram extasiadas
pelos açoites da vida,
nesta linda manhã de inverno
onde as borboletas fogem do frio.

Venha ursinho Pimpão
aquecer-me com seu pêlo
que mais parece um cobertor
sinestésico, quente e repleto de amor.


Venha ursinho Pimpão
deliciar-me nesta ilha paradisíaca
e deitar em meus braços
para que juntos formamos
o verdadeiro anelo
circunscrito na alma
e em minhas reminiscências.

sábado, 25 de junho de 2011

Drummond, quanta saudade!

Sinto saudades do Drummond,
De suas caricaturas perfeitas,
De seus sonetos brancos e livres
E do “E agora, José?”

Sinto falta do sotaque mineiro,
das aventuras poéticas,
da nota de cinquenta cruzeiros
e da pedra que havia no meio do caminho.


Sinto inveja de seus versos,
Do expressar irônico de sua leitura,
Do erotismo decadente de sua postura.


Sinto n’alma o espírito vagar, stop:
A vida parou em claros tons e sons pornográficos
De rimas que viraram mito.

domingo, 29 de maio de 2011

Última nota

Mais uma nota para alcançar uma oitava. Situação complicada, complexa, pérfida e cheia de dinamite. Pura nitroglicerina que se transforma em Hiroshima. Um grande momento pluralístico repleto de emoções se construía na metáfora do violoncelo de Tardin (meu personagem na construção de uma (quase) narrativa, pois não há histórias e para subir um tom requer dom, artimanha vocal e expressividade com as frases feitas: não tem escolhas porque está condenado a mais um refrão. E assim se refaz a canção que na cidade se ouviu e se fez existir. Meu violoncelo se quebrou, partiu-se ao meio com desamor, desalentos e com promessas não cumpridas, com os loiros metamórficos num prolixo entoar de notas, num falso cantar destroçados pelos açoites musicais.
O paralelismo se mostra simetricamente à medida que tudo se desfaz com a aproximação da morte do verdadeiro acorde sonoro. A linguagem se torna ébria, se mistura a ficção para se autodespedir e despedir do mundo exterior a sua volta. Agora a prosa abraça os versos para numa bela simbiose mostrar o simulacro do adeus, visto que algo que existia se desfez, se corroeu e se perdeu numa grande ambivalência.
Ainda resta, nesse exato momento, uma voz que prende imageticamente a uma tessitura. Ela mata, aprisiona, degenera paulatinamente meu canto. Não há mais cantar, pois tudo se desafinou por completo após a emoção acabar. Grande coincidência sonora distribuídas em sete notas musicais! Tudo em busca de uma oitava, de um tom acima, de um amor nada solitário, que fora sucumbido e perdeu a direção. Onde está Tardin neste momento com seu instrumento de cordas a tocar? Foi-se. Traiu-me com a oitava nota, aquela que modificou o acorde com palavras menos amenas, e me deixou a mercê do poder dos desvalidos.
Enfim, houve um momento em que eu pensava no amor entre cordas e instrumentos, entre melodia e canção, entre imagem e tecido musical. A partir desse instante estou só, incomunicável por não deixar meu coração encontrar um novo arranjo musical. Parece um réquiem a me esperar e assim morro para mim mesmo, na mesma música que se repete pouco a pouco numa única composição artística, numa verdadeira e linda peça musical, que se harmoniza no silêncio.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Metáforas de minha vida X

Como poderia o menino
ser o pai do homem,
dos filmes engraçados,
dos palhaços que pintam
a criatividade e a imaginação?
As bodas poéticas nasceram
para unirem Eros e Psique
lírica e majestosamente
num elo sígnico
que dá vida ao Monte Olimpo.
O sol bate na porta,
no céu brilha uma luz,
que reluz seu olhar.
Uma bailarina beija meus lábios,
sua dança me seduz,
na relva,
com lágrimas de Aurora
que neste prado vê brotar
minhas metáforas.



Caríssimos leitores, há outro blog para apreciarmos e seguirmos Tessistura Poética com postagens de diversos colegas blogueiros e novos blogueiros. Confiram este espaço e dê aquela forcinha.
Abraço,
Jasanf.