domingo, 11 de dezembro de 2011

As vozes

Parecem maléficas
têm o poder de amedrontar
seja soprano ou contralto
na voz feminina
seja tenor ou baixo
na masculina
têm a função de oprimir
e reprimir sensações
aprimoram-se com suas tecnologias
operacionais ligadas ao pensamento
mas dizem as mesmas ideias sempre
com intenção ameaçadoras
falam em conjunto
simultaneamente
em código
em metalinguagem
sem poética
com vazio
que do nada ao pó
deixam apenas uma gradação.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ladrões de pensamentos

Rondam-me ferozmente
roubando sonhos
aniquilando ideais
oprimindo desejos.
Meus pensamentos são lidos
numa tecnologia avançada
que corrompe informações.
Há um grande leitor à distância
observando meu ato de pensar.
Não há mais cantar
pois tudo foi esmigalhado
pela teoria da informação.
O raciocinar sucumbiu
e restou somente matrizes
do que era antes.

sábado, 5 de novembro de 2011

Preto no branco... ou vice-versa!

Informamos
que a metáfora
de outrora
desaparecerá
no submundo
para nascer
outras ideias.
Quer mais alguma
sugestão poética?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Amargura

Suaviza-me na agonia
Liberta-me das amarras do diabo
Tira-me do cativeiro da voz
Ameniza minha cicatriz
Pois me machucaram excessivamente
Tiraram-me o sono
Com a tirania tecnológica
Sinta minha dor
Descubra-me devagar
E no meu espaço
Perceba meu sofrimento
E viaje comigo nele.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Coalhado

Há quem diga que este é o fim
de um momento estupefato,
prazeroso, contagiante
e repleto de sonoridade.
Chegou a hora da querida festa,
de lermos poesias românticas,
piegas e sentimentais.
Vejo meus pensamentos sendo lidos,
contados, analisados
e quase dominados pelos açoites da informação.
Esta ultrapassa as barreiras da tecnologia.
Agora é tempo de ser feliz,
de se entregar de corpo e alma à vida,
ao amor, à juventude, ao poema,
ao soneto, ao haicai, à liberdade de viver:
porque quem constrói nossa própria história
somos nós mesmos.

sábado, 22 de outubro de 2011

Temperando algo

Tempero para um novo dia
Onde há gosto para tudo
Onde a teoria abraça a prática
Na diversidade de comunicação.
Não há reação nem mostra literária
Para apresentar um novo saber.
Há uma busca intrínseca
Que se metamorfoseia constantemente
Sem destreza e sem conexão
Tudo é performance, diversão e arte
Na nova mania de amar
No novo meio de ver o mar,
Na singeleza das coisas fugidias,
Devolvidas numa fina estampa
Parafraseando vazios e nada.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Jogo íntimo

As vozes cambaleiam
numa espécie de peripécias,
incomodam-me.
mas não afugentam
o brilho do olhar
jogado ao vento,
sua opinião paira
junto a minha,
numa perfeita simbiose elástica
que reflete o in dúbio,
o prazer,
o jogo íntimo da literatura
humana em nós.