Era segunda-feira, vinte e sete de setembro, dia de distribuir doces para a criançada, já que o famoso São Cosme e Damião acontecia mais uma vez na nossa sociedade. Edileusa trabalhava numa confecção de roupas íntimas e nesse dia seu patrão resolveu cumprir a promessa que fizera ano passado, após ter sobrevivido a um acidente de carro, na estrada genocida Rio - Petrópolis. Lá, quando morre alguém o corpo é coberto por uma folha de jornal, acende-se uma vela e pronto. É só rezar para a alma do defunto e nada mais.
Mas o patrão dela saiu ileso de um acidente no começo dessa rodovia. Tratava-se de um trecho rodoviário bastante perigoso. O carro virou sucata e ele se encontrava sozinho naquele momento. Teve meros arranhões no braço, nas pernas e no rosto, mas escapou com vida: um caminhão perdera a direção e se chocou com seu pálio.
Na confecção Edileusa não era costureira, mas sim cozinheira. Durante o dia todo teve que cumprir seus afazeres e entregar doces às crianças que passavam por aquele local. De vez em quando beliscava um docinho aqui e outro ali, no entanto ela sabia que tinha já “dono” toda aquela guloseima.
O sono queria aliciá-la para que pudesse adentrar em outro universo, uma vez que seus olhos já não a obedeciam mais. Não obstante fora abduzida, como sempre, a levantar do sofá e acender algumas velas. Ela, de súbito, fez isso rapidamente. Em seguida foi ao seu quarto trocar de roupa e se preparou para tomar banho.
Como havia faltado luz, ela acendeu várias velas no banheiro. O dia tinha amanhecido chuvoso, porém não se encontrava frio, mas mesmo assim ela não se arriscou a tomar banho frio. Quando pôs a água no fogão para esquentar, a luz voltou. Então ela desligou o fogo do fogão e foi direto para o banheiro.
Ao chegar lá, quando acende a luz, a lâmpada estala fortemente e ela tem que manter as velas acesas para tomar banho. Entrou debaixo de ducha morna e ensaboou-se levemente. Edileusa pensava com seus botões:
- É a primeira vez que tomo banho à luz de velas porque a lâmpada queimou. Ou isso é pobreza ou aparenta que estou ficando chique com tantas velas acesas. E eu aqui a me ensaboar nesse tom quase romântico e cheio de poesias pairando no ar.
Edileusa brincara muito no banho e o sorriso já permanecia estampado em seu rosto porque sabia que não podia levar tudo muito a sério.
Como já tinha perdido toda sua novela das dezenove horas, somente lhe restara à espera de outro dia quase normal: sem muito doces calóricos para engordar e com bastante trabalho a fazer na confecção. Ela sabia que brincar, às vezes, lhe faria bem e lhe estressaria menos. Por isso, que após um longo banho, tomara uma boa garrafa de vinho Santa Felicidade para que o rótulo do produto fizesse jus a sua vida.
Assim, com vários copos de vinhos Edileusa relaxou-se. Ligou para o seu namorado chamado Ribamar e ficaram setenta minutos ao telefone fazendo juras de amor e conversando assuntos excitantes. Entretanto, o sono a arrebatava ferozmente num grau superlativo totalmente absoluto sintético e os anjos a receberam no colo para clamar seu louvor e guardá-la de todo mal e inveja, pois eles sabiam que amanhã ela precisaria se renovar para levantar cedo e cumprir sua jornada de trabalho.
Con varios vasos de vino lo último que se debe hacer es llamar al novio.
ResponderExcluirA vida de Edileusa, acho que a de todos nós!
ResponderExcluirUma boa semana! Abç!
Uma narrativa sobre a rotina de uma pessoa humilde, mas que não perde a esperança, nem a oportunidade de ser feliz, nem que seja só por minutos.
ResponderExcluirAbração
Beautiful writing (translated to english), wonderful narration.
ResponderExcluirAgradecendo e retribuindo o carinho da visita. Viajar e me perder por entre as emoções do Jasanf, traduzidas e decodificadas em palavras, é algo q está me roubando horas e me levando ao delírio.
ResponderExcluirMuito bom tudo aqui e, com certeza, serei obrigado a inúmeros retornos para desfrutar, com calma, de cada narrativa.
Seguindo e linkando ...
Um grande abraço ao amigo
;-)
Oh Edileusa, amada minha
ResponderExcluirvenha comigo ficar.
Nos quatro cantos desta casa vazia
as luzes iluminar
cigarros apagar
carneirinhos contar
copos beber
corpos acariciar