
O poema tem pressa de existir,
tem sede de conhecimento e mistura vocabular,
tem fome arlequinal
por mudar de opinião a cada momento
já que a sílaba se constrói em verso
para disfarçar o palhaço
e o saltimbanco que há nele.
O poema sopra idiossincrasias
e cantarola e dança o fox-trot da farsa,
numa opala de variegadas cores
para ludibriar a pierrô
ao engendrar outro cenário de risos.
- Quá quá quá! - ri o poema esdrúxulo
em meio a uma quase polifonia de palavras.
Luzes da ribalta focalizam-no
ao levá-lo para o palco sombrio, úmido
e lúgubre de contraste.
O poema nasce, gira e sopra palavras
que saem pelos tímpanos surdos
e soam pelas bocas mudas
da criatividade.
O poema se (re)cria
à medida que se envelhece
para se tornar outro jovem Nijinsky.O poema é um pássaro, um avião
e um super-herói dos nossos desiguais,
pois estimula técnica e composição descomunal.
Ele metamorfoseia o que a imaginação solicita
e capta aos poucos a originalidade
sem rima, métrica e adereços líricos.
O poema aciona o desvairismo
e a loucura escondida nas entrelinhas.
Olá
ResponderExcluirE no seu poema ,você soube muito bem usar essa mistura vocabular que o poema tem sede.
Grande abraço
gostei... muito bom... já estou a acompanhar tuas palavras...
ResponderExcluirAo escrever poesia o autor, tem esse direito de brincar com as palavras, assim como você fez e ainda mas com essa mistura de figuras de linguagens, gostei muito do poema.
ResponderExcluirAbraços...