terça-feira, 17 de agosto de 2010

Presença do outro em mim

Aposto que os bandolins tocaram melhor do que as cornetas hoje, pois uma nova emoção, um novo tempo, um grande entusiasmo bateram para sustentar a ociosidade que vingara nesse instante.
A pior lembrança foi descobrir que não havia palavras que coubessem nem um simples toque estereotipado de linguagem a proclamar, declamar, aclamar e também exclamar idéias simples. Nada valia, uma vez que tudo se deixou e percebi que me deixara junto: seria a presença constante do outro citado por Eric Landowski? E qual seria a semiótica dessa presença? Porque a única coisa que tem sentido, forma e exatidão são estarem presentes, já que nunca estamos na insignificância.
Chega um momento que é preciso “se apresentar”, nomear-se mostrando-se, situar-se dizendo do que se ocupa e alegar o que é, como se conhecesse a própria identidade.
Assim é com o tempo, tudo passa, as ideologias sonhadas e esmeradas fogem a galope e somem num piscar de olhos. Assim cria-se um discurso verbal e imagético diferente que nos dá outra função de signo numa nova perspectiva comunicacional.
Com efeito, as estratégias identitárias superpõem-se numa nova dimensão de busca de si mesmo, colocando identidade contra identidade diante de uma relação em que o sujeito se descobre, ao contrário, a si mesmo, desde que se torne no outro interiormente presente, atingindo mais de perto a intimidade do sujeito: eu e nós.
Não há filosofia que se transforme numa guardiã da paz ou que permita a invasão e a guerra presente na identidade que se relaciona com o eu e o outro.
Ademais, de uma forma banalizada, tal relacionamento e guerra contra identidades e busca de si mesmo modifica-se com o princípio político contagiado pela essência transformadora ou que deseja transformar-se. O outro se modifica a cada segundo para apagar ou aprimorar o eu, trata-se de uma autobusca ou simples e temível descontrole emocional? Somente sei que não possuo exatidão nas respostas. Tudo que habita nessa quimera de relacionamento quase enlouquecedor pode se tornar um dândi mesmo sem pronunciar palavras para se autoconhecer ou para pedir ajuda diante dos sofrimentos e das marcas do que se foram no dia-a-dia.
Enfim, perdurar-se-ão “razões” e “paixões” entre o eu e o outro: um grande duelo de signos, de causas, de advérbios e grandes feitos e efeitos colaterais. Mas há limítrofes para separar, contagiar e finalizar sem morte. Embora seja justificável constatar uma espécie de dramatização para fundamentar o que se torna presente em mim – dentro e fora por completo. Conquanto que seja um tipo de discurso pseudo-razões, nada se comprova para se sacrificar o eu, pois o outro invade sangrentamente para modificá-lo e rebelá-lo.
Tem-se aí, por conseguinte, duas atitudes: assimilar e excluir. Caberá ao eu lutar arduamente para que o outro não vença e se dissipe mais e mais, deixando-se sem alteração e alteridade. A determinação de assimilar com seus aspectos exteriores que configuram a imagem de um nós hipostasiado e hipnotizado pelo outro é que produz diferença, não obstante tanto um quanto o outro vivem entrelaçados para ver quem ressurge das cinzas e quem adere aos movimentos de incluir e excluir – e aí surge um paradoxo: ambos se buscam em demasia e embevecidamente, visto que cumulam combinações, mesmo se distanciando e se desqualificando em sua devida identidade.
Em suma, o que importa mesmo é se descobrir nas múltiplas identidades inventadas pelo eu e teatralizada pelo outro e saber distinguirem quando é um e/ou outro, todavia isso leva tempo e maturidade. Cabe, portanto, aos dois a semiose: modos de produção, de funcionamento e de recepção dos diferentes sistemas de sinais de comunicação.




9 comentários:

  1. Muito bom amigo, tudo leva a crer que somos uma metamorfose ambulante também geradoras de opinião.
    Forte Abraço!

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  2. Meu amigo,
    Nesta luta de ideias e ideais que se tem travado em seus textos com certeza há um vencedor: o poeta que existe em você.
    Parabéns mais uma vez!

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  3. Jander,
    O outro em nós? Estranho como estamos sempre a mercê da inconstância.
    Não sei se sentimos mais que os outros, ou apenas somos transparentes e não fugimos das nossas inquietações.
    Também vejo sempre uma outra em mim!

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  4. simplimente magnifico, esse foi o primeiro comentario que postei aqui e, logo de cara me deparo com essa obra.."Assim é com o tempo, tudo passa, as ideologias sonhadas e esmeradas fogem a galope e somem num piscar de olhos. " a frase chave p/ muitos conceitos...
    grande abraço cara!

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  5. O eu e o outro: uma grande relação, que promove o in e o yang do universo.

    Abraço!

    http://floresdevenus.blogspot.com/

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  6. Conheça-te a ti mesmo. Esse era o enigma inscrito na entrada de Delfos (local do oráculo de Apolo, o deus da luz, da racionalidade. O que ele queria dizer? Que conheçamos a nós mesmos ... sem o concurso de outrem??? O que dizer daquilo que se diz por aí que nos conhecemos, dialeticamente, numa relação de alteridade? Será que sem o outro nao nos podemos desvelar? Quem sou eu afinal???

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  7. Segundo o conto machadiano (o espelho), somos aquilo que os outros querem que sejamos, ou melhor, somos e desejamos ser aquilo que os autros aprovam! Isso é um paradoxo, pois nossa identidade na verdade seria uma alteridadde e não uma altenticidade. Aliás, essa talvez
    seja a verdadeira busca ainda não encontrada: a busca pelo nosso Eu. Será que ele existe?? Segundo Sartre, somos o que projetamos ser, mesmo se influenciado pelos outros,
    pois sempre escolhemos por nós mesmos o que queremos ser. Contudo, a todo momento podemos projetar um novo eu, um novo projeto...
    Enfim, não em um eu isolado do mundo. Aliás, sempre, segundo Heidegger, já estamos lançados em um mundo. Nós somos "ser-no-mundo".
    porém, comumente, nossa identidade, não passa de um nome ou de um número, mas isso nao importa, pois não é fundamental, é apenas prático!!

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  8. Olá Jasanf
    Obrigado pela visita ao meu blog, quando puder volte, vou gostar muito.
    Grande abraço

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  9. a musa da controvérsia11 de junho de 2011 12:21

    todos os gêmeos de Jander falaram! para ser feliz, vc só vai precisar escolher um, geminiano!

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