sexta-feira, 13 de maio de 2011

Reticências... Um conto!

Dessa vez surgirá em alguns dias de primavera, onde parafusarei ideias, repensando sintagmas sem hesitar em retornar as palavras dos abutres do mês de julho. Já que eles insistem com suas falácias e desorientar pessoas a fingir e a fazer ligações por celulares, criando imagens do gênero:
- Rominho, amanhã tem mais? - perguntara um discípulo após ter mencionado o contra-ataque, no dia cinco de outubro de 2008. Mal sabia ele que tinha escutado e que agora teria o privilégio de usar esse nome.
Carros passavam de um lado para o outro enquanto encontrava-me no portão. Eles configuravam olhares maledicentes ao chamar a presa para uma emboscada. De repente um jovem aparece com um celular com intuito de fotografar a imagem daquele que estava parado ao portão, no entanto num piscar de olhos um vizinho já embriagado sugere que entre, pois naquele momento nada parecia seguro.
Uma voz de mulher grita notoriamente que foram 22 dias espionando, vigiando e se concentrando na destruição dessa imagem. A grande pergunta que não se quer calar é: quem são os autores e criadores desses momentos? Como começou? E como chegou ao meu pensamento?
No dia seguinte era domingo de eleição. Mas na segunda-feira recomeçam as mesmas vozes a falar. Peres (nome de minha personagem de ficção para compor a autobiografia e a realidade) é o dono da primeira voz que escutei. Foi quem mencionou palavras de todos os âmbitos para conduzir a gênese homofônica e quem deu vida ao espetáculo engendrado de lótus e laçinhos cor-de-rosa. Palavras de traição, de afeto, de falsa preocupação e até mesmo bíblicas exclamaram-se de forma execrável e inexorável durante a madrugada adentro. Lembro-me de cada tom, de cada sílaba e das imagens corridas dentro do cinema, à tarde, e do encontro que tive com o primeiro malfeitor e sua namorada no final da sessão cinematográfica, onde pronunciara a frase de efeito “Amai-vos uns aos outros”.
Infelizmente, não quis dar atenção nem parar para cumprimentá-los. Confesso que o filme “Bezerra de Menezes, o Diário de um Espírito”, com Carlos Vereza não tinha me feito bem. Ao sair da sessão resolvo fazer um lanche na praça de alimentação e lá, orientados pelos abutres, as pessoas riam, confabulavam e fingiam empregando palavras de destruição.
Não é à toa que hoje enfrento nos olhos, pois não me permito mais adentrar nesse universo onde criaram um louco. Se a loucura quer falar agora, que seja por escrito, que dê nome aos personagens para mostrar que a história que conto, sei de cor e salteado. Não empregarei o mesmo advérbio para dizer que esqueci, também não vou me desenganar que este texto não seja a primeira pitada de vingança porque se tive que inventar nomes correlacionados às pessoas reais, é para ter a honra de não cair na frase feita: “Você tem como provar?” e para evitar situações constrangedoras com tais pessoas. Até porque processos são fatos inacabáveis e descubro que, do meu jeito, estou pronto para a guerra.
Cada dia que passa descubro que sou a fortaleza pronunciada por Peres um dia. E que os jogos não me assustam mais e que a escrita é meu refúgio, minha válvula de escape para seguir a regra que dissera para mim no dia primeiro de janeiro de 2009. Agora dou as cartas. Que estejam Anas e meu favor, grandioso nome simpatizante que me persegue. E demorei em descobrir isso.
No dia sete de outubro de 2008, numa terça-feira, tinha orientação na Universidade Federal Fluminense, às 14h. Lá me deparo com uma mulher monstro: gorda, cabelos presos, vestida de marrom e bem paramentada esperando meu orientador na época com seus orientandos para conversar com ele. O mais estranho é que uma pessoa estranha (um abutre apropriado) disfarçado de namorado se encontrava ali para assistir uma aula de orientação de dissertação. Se era namorado mesmo por que estava assistindo a aula e anotando tudo que se encontrava no ar para construir um cenário pictórico depois?
O mais engraçado que antes dele chegar pensei que iria perder a orientação do meu saudoso professor, mas ele depois de ter conversado com a tal mulher-monstro, dissera para mim: “Confio em você!” e acrescentou “Sei do teu potencial e da mentira deslavada que te ronda”.
Só me lembro de ter pegado no ar as falas dos abutres:
- Vamos pressioná-lo aos extremos!! - dissera um deles antes da aula de orientação, no bandejão, ao conversar com uma mulher contratada (que se dizia pedagoga) para durante a minha saída na rua pronunciar palavras que foram ditas durante a aula e empregada por Peres e a segunda personagem, que chamarei de Tardim, meu grande amor.
Anoitece. Passo no Plazza Shopping, em Niterói, para fazer um lanche. Começa a observação. Um gordo observa quanto tinha na carteira ao pagar a conta do lanche, pessoas se divertindo e se preparando para iniciar todo o processo destrutível.
Saio do shopping. Vou fazer a cópia de uma chave para entregar a alguém. Em seguida, vou para o ponto do ônibus. Lá meu destino será Piratininga. O 39 chega lotado e com o cenário montado.
O mais estranho que a mesma pessoa que tinha vindo comigo às 7h estava também dentro do ônibus que iria me levar para Piratininga. Sentei-me ao lado dele. Roçou a perna em mim e me olhava estranho. Tenho a imagem dele até hoje. Mais um abutre. E confesso que já o vi em Nova Friburgo todo fardado numa loja e num carro prateado nesse ano.
A viagem continua intensa e cheia de emoções. Pessoas falam ao mesmo tempo e não se consegue distinguir suas palavras. Desço um ponto antes do final. Mas antes ameaço descer num ponto estranho e a pessoa do meu lado se levanta, com mais dois, um gordo e um magro respectivamente, e descem depois que fiquei em pé. Meu ponto chega e desço afinal.
Atravesso uma ponte de madeira para chegar ao meu destino. Percebo que estou sendo seguido novamente e que havia um táxi branco com uma pessoa dentro. Parecia uma. Não dava para ver o indivíduo lá dentro.
Finjo entrar numa rua estranha e o táxi pára a frente. Não havia iluminação. Tudo parecia um breu. Depois entro na rua que sempre ia todas as semanas. Abro o portão e os latidos dos cães começam. Os animais vêm a mim numa felicidade passageira, brinco com eles e um momento raro e divertido começa.
Entro dentro de casa, cumprimento quem se encontrava nela e vou para o quarto deixar minha mochila preta e me preparar para um bom banho. A dona da casa parecia se divertir em seu computador. Cumprimentou-me com carinho de sempre e me perguntou logo se tinha feito a chave. Disse que sim. E a entreguei no segundo andar.
A partir daí vou à cozinha beber água e depois vou para o quarto me preparar para o banho. Tiro a roupa suada do dia. Trajava naquele momento uma camisa roxa e uma calça jeans. Entrei no boxe. O chuveiro caía profundamente sobre mim. Num pequeno frenesi lavei-me demoradamente. Comecei a pensar nos fatos ocorridos naquele momento e nas imagens que tinha visto e escutado.
Quando estava no banho a campanhinha toca e a dona da casa vai atender alguém no portão. Eles sabiam que eu estava no banho porque antes nada tinha feito barulho.
Escuto a voz da mesma pessoa que estava sentada ao meu lado no ônibus, visto que já era familiar e gravo bem a tonicidade de quem se fala. Graças a Deus tenho uma audição apurada, embora enxergue e cheire não muito bem. Algum sentido tinha que ser melhor do que o outro.
E o palco foi montado. A Senhora Loucura surgiu naquele momento como minha companheira inseparável. Cortei-me com um presto barba mãos, braços e pernas. Estava fora de mim e sem a presença da Dona Razão para me trazer discernimento e luz aos meus olhos. Tudo se escureceu e se fechou completamente. O breu da noite caíra e se juntara numa perfeita e chocante simbiose.
Acordei às dez horas da manhã. A chave da porta não se encontrava ao meu lado. Tinha desaparecido. Alguém durante a noite após os gritos tinha entrado para me fotografar e para modificar o ambiente. O berço que aparentava inteiro quando dormi estava quase todo quebrado, desmontado. Lembro-me de tê-lo arrastado antes de me cortar. Mesmo sendo arrastado, ele estava inteiro. Foi a pior noite que aconteceu. O indivíduo do táxi entra na casa com outras pessoas. Um coro de vozes é pronunciado durante a madrugada adentro. Antes de me cortar num imenso e terrível desespero faço quatro ligações. A primeira foi para minha casa e a pessoa que atendeu não acreditara em mim. Disse que fui seguido até Piratininga, mas achou que era um trote ou brincadeira de mau gosto. A segunda pessoa disse para eu ir conversando com a dona da casa para ver se eu me acalmava. A terceira e a quarta pessoa não atenderam minha ligação.
Depois de muito gritar durante a noite, num sofrimento árduo e enlouquecedor, apaguei-me profundamente. Sei que os cachorros foram presos no canil para outros entrarem. Ao amanhecer, todo ferido e com a pele ardendo devido aos cortes, escuto vozes de pessoas rezando e conversando na sala. Encontrava-me trancando no quarto e a tal chave que deveria estar ao meu lado tinha desaparecido.
Levanto-me e tento procurar a chave para ir embora, porém não a encontro. Sento abaixo da janela e as duas vozes que tinha escutado em casa voltam a falar. A primeira, como na outra vez, foi Peres, dizendo palavras de conforto e me pedindo desculpas. A segunda foi Tardim dizendo que me amava e que eu era importante para ele. Em seguida solicitava em soluços para eu esperá-lo e me pedia perdão.
Naquele momento sem entender nada chorava muito. E escutei a voz de minha mãe dizendo que me amava muito. Ela pedia para eu parar de chorar, que tudo iria ficar bem.
Depois a quarta voz foi a dona da casa dizendo onde estava a chave. Como ela sabia onde se encontrava a chave? Já que tinha a deixado ao meu lado, perto do travesseiro. Foi só ela dizer onde estava que eu saí, ainda fora de mim, do quarto.
A quarta-feira, oito de outubro foi longa. Muito. Os melhores detalhes da festa sórdida e homofóbica começam agora. Saio do quarto e bebo água. Culpo Deus e o mundo naquele momento, xingo, falo horrores com a dona da casa. Junto todo material de estudo, roupas, acessórios e apetrechos: a mochila preta lotada e duas bolsas de papelão com pastas amarela de elástico.
Junto tudo e vou a um posto médico que havia ali perto. Lá encontro a mesma pessoa que sentara perto de mim no ônibus. Ele desaparece num piscar de olhos. Uma enfermeira me atende e passa um produto pegajoso em meu braço. A médica que vem em seguida é sarcástica e irônica ao falar de minhas feridas, entretanto finjo não ouvir, pois sabia que não estava eu meu estado normal.
Faço um escândalo no posto médico ao ver a enfermeira conversando com o tal indivíduo que tinha visto dentro do ônibus à noite. Grito bastante. Mesmo cheio de pomada pegajosa, saio para pegar o ônibus para voltar para a casa.
No meio do caminho encontro-me com a dona da casa que estava. Ela me pedi as chaves da casa e me diz para nunca mais voltar lá. Tanto obedeci que nunca mais voltei lá. Hoje vejo que tenho que desobedecê-la para escrever mais e mais.
Depois que entrego a chave, ela me pergunta para onde vou. Digo não sei. De repente, em pensamentos, digo que iria para Petrópolis ou que iria desaparecer do mapa.
Ao chegar ao ponto do ônibus, vejo novamente a mesma pessoa que estava do meu lado dentro do ônibus e que se encontrava no posto. Xinguei muito. Tenho o rosto dele cravado na minha mente e já o vi neste ano quando saíra do Colégio Dermeval num carro prateado. Será ele uma das pessoas que me ameaça de morte? Será que o fogo e o ácido que se encontram na moda serão usados pelos abutres? Eles afirmam sempre que irão me pegar.
Entro no ônibus. Ele lota de passageiros. Começa o joguinho das palavras e dos deboches. Faço um escândalo dentro do ônibus. Muitos me olham apavorados porque viam os corte em meus braços e no meu rosto. Naquele momento parecia um avatar sair de mim. Não era eu. Outra identidade se apossara de mim. Desço no ponto do Colégio Salesiano. A igreja se encontrava fechada. Eu a odiei por nove meses por isso. Odiei igreja e tudo que vinha dela. Quando alguém pronunciava o nome de Deus, ficava incomodado e se tivesse que ser agressivo, seria. Não me importava.
Andei muito. Cheguei à praia de Icaraí. Linda como sempre, mas naquele momento não percebia tal beleza. Não via ninguém. No meio do caminho todos os celulares tocavam orientando pessoas a debochar de mim. Lembro perfeitamente de um grupo de garimpeiros aos gracejos e risinhos.
Entro em outro ônibus. Só tinha uma coisa em mente: desaparecer de tudo que se encontrava ao meu redor. Não queria voltar para casa. Desço no ponto das barcas e vou para o Rio de Janeiro. Lá, em princípio, a multidão de gente me esperava. As pessoas pareciam caminhar tumultuada e propositadamente. Meus passos não eram ágeis nem conseguiam ser rápidos. Parecia que eles me bloqueavam à medida que tentava prosseguir.
Entro no metrô. Sento num banco a espera do meu destino, que até então nem sabia qual seria de fato. Uma mulher senta ao meu lado como se tivesse sido avisada para estar ali. Depois mais uma mulher senta perto de mim. Esta estava toda elegante e parecia uma executiva. O metro para a zona sul chega lotado. E resolvo entrar nele. Lá me encosto-me a um ferro e dois homens gordos horrorosos começam a caçoar e a debochar de mim, falando para eu dançar na barra de ferro.
Saio do metrô em Botafogo. Vou para um ponto de ônibus em frente ao Botafogo Praia Shopping. O dia estava chuvoso. Mesmo com guarda-chuva dentro da mochila preferi não usá-lo. Fiquei na chuva, pois precisava dela.
Quando o 126 chegou fui direto para a Rodoviária Novo Rio. Nem sabia para onde ir. Ou se ia mesmo para Petrópolis ou se continuava ali. Não queria voltar para casa de jeito nenhum.
O cenário na rodoviária já tinha sido coberto. Tenho certeza de que minha família estava lá porque liguei para minha casa e o telefone não atendia. Tocava, tocava e muito. Novamente os deboches vinham à tona mergulhados de fel. Tinha gente fingindo ocupações que não era a sua de fato.
Lembro-me até hoje de um senhor de cabelo grisalho, que vi em janeiro em Itaocara, falando horrores a meu respeito. Tive uma crise de choro intenso. Algumas senhoras para me acalmar me deram um copo d’água. Elas começaram a xingar algumas pessoas de abutres. Naquele momento, ouvi as mesmas vozes que estavam em Piratininga.
- Linchem-no! Linchem-no! Linchem-no!!! - falava arduamente um trepido malvado naquele momento.
E outra voz dizia suavemente:
- Volta para casa! Nós te amamos! Volta para a casa.
Somente lembro que um individuo pronunciara que tinha tantos homens vindos ao meu encontro, que não era para eu vê-los.
Anoitece e resolvo comprar passagem para regressar a Nova Friburgo. A passagem era de número sete. Durante a fila pessoas me olhavam mal encarados. Lembro também de duas pessoas fantasiadas passando por mim: uma mulher vestida de freira e um homem de padre. A mulher tapara o rosto para não me olhar. Será por que ela não queria me ver? Ou eu aparentava ter alguma doença contagiosa?
Todos queria tirar fotos comigo. Eu parecia uma pessoa famosa. Dentro do ônibus fingiam e/ou tiravam de fato. Mudei de lugar várias vezes. Todos me incomodavam. Sentei na escada do ônibus e desci no pedágio em Itaboraí.
Tinha pouco dinheiro no bolso. Nem sabia se dava para pegar o próximo ônibus. Um indivíduo grita do ônibus:
- Vou te pegar depois!
Não sei como chegar a minha casa. Sentia desprotegido naquele momento, mas tinha que prosseguir. Consegui uma carona até Japuíba. Depois fui de ônibus até Cachoeira de Macacu. Lá pessoas mal encaradas me esperavam. Fui a um orelhão e liguei para um amigo. Naquele momento eu disse que meu telefone residencial não recebia ligação a cobrar e que eu estava sendo seguido. Só que não esperei me buscarem, já que apareceu um ônibus. Faltava uns três reais para completar minha passagem. Mas uma senhora que sentava a frente completaram para mim.
Entrei no ônibus e aí começaram os tais aparelhos de leitura labial a funcionar. Com o aparelho ligado eu escutava o próprio eco da minha voz sendo repetida. Eles conseguiam manipular todos os celulares ao redor. Disse para mim mesmo que iria descer na Rodoviária Norte, mas desci num posto de gasolina para ir para a casa de uma amiga minha.
Cheguei todo cortado e esbravejando à casa dessa amiga minha. Passei a noite toda lá e uma voz durante a noite disse para ela que eu tinha que dormir em casa e que faria mal ao filho dela. Ela não dormiu no quarto dela naquela noite e resolveu fazer companhia a seu filho, pois tinha certeza de que ela estava com medo.
Acordei antes das seis horas. Nem sei se dormi de fato. Levantei, fui ao banheiro e essa amiga minha disse para ter cuidado e que o único lugar seguro era o quarto dela. Todos levantaram cedo por minha causa. Minha amiga bateu na porta do quarto dizendo que precisava entrar. Um idiota falou de um aparelho de leitor labial comigo, visto que eu escutava minha própria voz se repetindo. Mexi em todos os objetos. Eu os tirei de todos os lugares, joguei no chão. Nem sei se algo se quebrou. Só me lembro de xingar novamente.
Minha família chega naquele local. Meu irmão me faz um questionário e em seguida escuto o mesmo barulho que havia dentro do ônibus. Só lembro que ele mencionou que ali estavam as únicas pessoas que me amavam de verdade. Foi a primeira coisa que ele disse quando me viu. Ele disse que eu tinha que ir ao médico. Então solicitei para minha amiga ir junto comigo para a Unimed. Demorei a ser atendido naquele hospital. Depois me internaram e um psiquiatra veio falar comigo e me medicar. A partir desse momento nem sabia mais o que era real e o que era puro delírio.
O mais interessante que a mesma pessoa que se encontrava em Niterói e no posto médico em Piratininga também se encontrava na Unimed. Será por quê?! Ele dizia que iria me dar uma coça e maltratar minha mãe.
Voltei para a casa. Entrei de licença de quinze dias no trabalho para que as feridas físicas cicatrizassem e vegetei durante nove meses. Puseram-me numa dimensão que hoje a chamo de X. Abandonei pessoas que me amavam e me afastei do mundo real. Haldol e akineton foram os medicamentos que tomei ¬¬__ e ainda tomo __ naquele momento para me acalmar e me colocar no eixo.
Custei fazer as pazes com Deus, mas em agosto de 2009, estimulado por uma amiga, li o livro Quando só Deus é a resposta, de Márcio Mendes. Foi o primeiro livro do ano que li, pois não tinha paciência para me concentrar para ler. A leitura me cansava bastante. Foram três dias lendo a obra e consultando a bíblia juntos, pois fazia referências e citações.
Naquele momento, por conta própria e sem comentar com ninguém deixo de tomar os remédios. Só lembro que engordara muito os tomando. E em dois meses emagreci os tais quilinhos a mais. Nem sei da onde brotava tanta animação e entusiasmo.
Após a leitura do livro resolvi fazer caminhada, dormir menos e acordar para vida. Mas no primeiro semestre do ano de 2009 nada me incomodava nem abalava. Vivi como um zumbi, um morto vivo naquele momento. Pensei que tudo que tinha me acontecido não era verdade, pois todos mencionavam ao contrário. Teve gente ainda que incentivou a minha loucura e tive que cortar os vínculos, já que uma ira e um ódio descomunal existiam.
Passei o ano conversando com a mesma pessoa. Todos os dias praticamente nos falávamos, mas naquele instante era a única que me fazia bem de verdade. Fechei-me por completo até agosto, pois não tinha resposta suficiente para o que me acontecera de fato, mas no dia 13 do mês oito alguém me disse alguns por menores ao telefone. Aí fui perceber tamanha falsidade e que a famosa frase “meio-amigo é inimigo inteiro” vinha ao meu encontro. É fácil lidar com o inimigo, pois de acordo com o movimento antropofágico, nós o devoramos para tirar o proveito de sua melhor essência. Agora o “meio-amigo” não sabemos onde ele se encontra de verdade.
Como disse me encontrava animado. No trabalho fiz o famoso café literário e dei o grito de independência. Mas em novembro cheguei a afirmar para um amigo que estava sendo seguido e no dia oito de dezembro em Niterói os abutres aparecem novamente. Invadem meu espaço, minha casa, minha família, meu trabalho, meus amigos e começam a jogar pessoas contra mim. Nunca revi tanta gente. E olha que cheguei a pensar que tudo tinha sido mentira, mas que os fatos só vieram a dar respostas e mais respostas.
Passei o primeiro semestre de 2010 no município de Itaocara. Confesso que eu precisava de mim, precisava de outra religião e abraçar outros horizontes filosóficos. Minha família itaocarense foi o meu refúgio. O mais interessante que os abutres alugaram locais estratégicos para me controlar e manipular tudo que havia ao meu redor. Eles me acompanham onde quer que eu vá. Como que os cofres públicos são gastos numa perseguição implacável? Mas agora perdi o medo. Estou querendo de fato enfrentá-los. São as mesmas vozes todos os dias, mesma tonicidade orientando e desorientado pessoas a fazerem ligações e ameaças. Isso mesmo eles ameaçam sempre. Todos os dias e em qualquer lugar que eu vá.
Vocês acreditam que eles se manifestam nos locais que trabalho? Só que a eles agora somente cabem a morte eterna e nada mais. São vermes citados num poema antigo.
Admito: falo sozinho e adoro conversar comigo mesmo. Sou meu melhor amigo e mesmo assim, conhecendo-me ou não de fato, descubro que dou as cartas de minha vida, que o meu destino encontra-se na minha mão. Então para quer temer? Não é fácil se vestir para enfrentar um mundo onde especula e veicula preconceitos e pré-conceitos. Estou numa guerra e descobri que sou forte e bom de briga e que o inimigo, os que chamo de abutres, são as pessoas a quem realmente desejo atingir. Mesmo que digam, religiosamente, que ele não é desse mundo. Mas de fato sou um vencedor e pretendo vencer todos os dias. Então retroceder nunca, render-se jamais! Já descobri a tática dos abutres e suas devidas artimanhas. Agora é esperar o contra-ataque. E verificar que tudo passou de um grande pesadelo.



20 comentários:

  1. Muito bom seu texto, prende a atenção do princípio ao fim, parabéns.

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  2. Uau! Que texto legal de se ter em olhos presos até que se diga a que se veio!!! Você sempre vê, Jas!

    bjss

    Catita

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  3. Isso é um relato ou é ficcional?
    Bom, de qualquer forma você está de parabéns ao relatar um caso de surto psicótico, pareceu-me verídico. Valeu ter lido -mesmo o texto sendo dantesco - valeu cada palavra.
    Um abraço!

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  4. arteira28@hotmail.com13 de maio de 2011 22:27

    Depois de ler este conto denso, analiso a transponho para a vida nossos anjinhos e diabinhos que nos falam o bem e o mal , e cabe a nós entendermos a mensagem das vozes do nosso subconciente o que é bom pra nós.
    A vida nos prega peça como o personagem deste conto, a vida é enigmática, pois pensamos qual nosso objetivo de viver, nesta família nesta cidade , neste país, e nos indagamos, quem somos nós????
    Temos é que viver sem pensarmos muito pois o tempo passa muito rápido temos que viver o hoje o agora, pois amanhã ninguem sabe.
    Vamos viver o melhor hoje.....principalmente sem ouvir diabinhos ou anjinhos...ok?
    bjs

    Arteira

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  5. Ótimo Conto ! Parabéns !!

    Tão bom, com tantos detalhes, que fiquei me perguntando se era mesmo um conto, ou algo real.

    Bjos !

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  6. Não tenho duvida que para construir um texto dessa envergadura é preciso ter a mais pura e perfeita concentração para tal. Um carinhoso e fraternal abraço. Tenha um otimo final de semana.

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  7. Que texto! Fiquei curiosa. Quem seria este narrador-personagem? Louco? Imerso em um surto psicótico? Buscador do fantástico? Criatura perene? Criador solitário?Abutre? Ele também? E quem foram, enfim, os abutres ao longo de nossa trajetória insólita pelo planetinha azul? Animais que permeiam o imaginário e o inconsciente humano. Para os antigos egípcios o abutre era considerado o animal favorito dos faraós, visto como uma ave protetora e senhora do destino dos mortais. Eles cultuavam a deusa abutre que ajudava nos nascimentos reais e divinos, chamada Nekhbet, ela era esposa de Amon Rá, o Deus Sol.
    Para os indígenas norte-americanos representa o purificador, aquele que elimina os restos mortais.Na cultura maia, era um símbolo da morte.
    Os gregos acreditavam que nos movimentos de vôo do abutre estavam ocultas certas mensagens dos deuses e o relacionavam com Apolo, o deus Sol. No sentido geral da simbologia, para os ocidentais, é considerado um animal de mau agouro...
    Na África, o abutre é tido como um animal de grande sabedoria, conhecedor dos segredos da transmutação, capaz de transformar a matéria morta (carniça) em energia vital (alimento). Transmutador da matéria, o alquimista da natureza.
    Então, amigo, que este texto-símbolo seja um portal para mudanças e que Mut, também assim conhecida, a grande deusa abutre dos céus, possa com seu nó mágico, ser um ponto de convergência entre o que há de divino e humano em você, afinal, você da as cartas, você é um vencedor, você tem o seu destino em suas mãos e como a Deusa, você não é um simples mortal. Não com um conto destes! Beijos carinhosos e divinos!
    Cristiane Sampaio

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  8. Jasanf...
    Que texto heim!!! to aqui paralizada!! Se este era o intuito, parabéns.
    Fico pensando se não seria onerismo por parte do protagonista. Ai me pergunto, é real ou ficção.?
    Mas seu conto esta recheado de pontos a serem questionados, o preconceito, a falsidade, o amor..a familia...



    Texto muito bem escrito, como tudo que vc escreve.

    Um beijo..da amiga,

    Ma

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  9. ...TEM QUE DIZER ALGO?!!! O QUÊ?!!!
    ...PSICOSE!
    RSRS BJKS DOCE ♥

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  10. Lendo de novo..daria um bom filme de suspense..
    mas a pergunta que fica..ficcção??

    Bjkas

    MA Ferreira

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  11. Nada de relato. Pura ficção mesmo!

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  12. Podemos sempre acordar dos pesadelos ao nascer do sol. Ainda bem que é ficção (rss).
    Você me abandonou (buá).

    Jasanf

    Está aberta a votação para o BLOG DA SEMANA e sou uma das indicadas.
    Não gosto de pedir, prefiro dar,
    mas se quiser votar em mim, vou ficar feliz. É lá no
    http://wwwwillblog.blogspot.com
    de 14 a 21/05/2011.
    Obrigada!
    Bjs.

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  13. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog Machado de Carlos. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs

    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.

    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    Abraços

    http://narroterapia.blogspot.com/

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  14. Porque um texto destes está num simbles blog?

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  15. Olá amigo!
    É a primeira vez que aqui venho e gostei da forma que escreve. Goste de ler coisas assim, coisa pessoais com histórias.
    Siga-me lo bo meu blogue o:

    transpondo-barreiras.blogspot.com

    Um abraço e bom Domingo.

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  16. Jasanf,
    Passei algumas horas "presa" (no ótimo sentido) aqui. Venho através deste, agradecer a sua visita ao meu espaço, desculpa o atraso também, claro. Voltarei para bater em sua porta, outras vezes.
    Parabéns!

    Um grande abraço.

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  17. Nossa, que texto intenso! E, aliás, foi tão bem escrito que nos deixa na dúvida se realmente é ficcional ou não. Só podemos saber que é de fato ficcional, pois você assim o disse.
    Parábens!!
    Beijos, Bela.

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  18. Olá meu querido amigo... tudo a caminhar bem? vim te convidar a participar do 4º Pena de Ouro o convite está na minha Ilha acima das postagens. Estou te esperando no ostra, seja como participante ou apreciador da poesia. beijos no coração!

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  19. Òtimo conto!

    Nos prende do nício ao fim. Você é genial!

    Beijos!

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  20. Texto bem construído!!! Gostei muito!
    Quanto aos inimigos, para atingi-los, basta estarmos bem. Construímos nossos próprio caminho e decidimos se seremos vencedores ou não.

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