quarta-feira, 9 de março de 2011

O Barqueiro

Quer passar para o outro lado?
Pague a oferenda ao barqueiro.
Entregue a moedinha ao Caronte
e divirta-se no mundo dos mortos,
atreva-se enquanto espectro
para saborear
um cálice de sangue amaldiçoado,
cuja luta é eterna.
Tenha medo do medo
e de ter medo.
Entregue-se ao pavor, ao horror
e aos delírios poéticos do submundo,
recheados de psicose,
atitudes maquiavélicas e malévolas.
Deleite-se com o rio de sangue ao seu redor,
contemple o cheiro ardente de mofo,
de pele defumada e açoitada...
sinta-se o próprio fantasma
almejando cumprir seu destino:
fazer a passagem da verdadeira,
diabólica e cruel ficção.

10 comentários:

  1. Nossa...esse texto ficou bem terror e dark!
    bjs!

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  2. 'quero aquele vapor barato'...
    Bj*

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  3. Viagem dolorosa, mas instigante.
    Um grande bj querido amigo

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  4. A ficção sempre leva um pouco de realidade. Vivo minha ficção com fé e sabedoria


    Abraços!

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  5. Só sei fazer ficção; no que faço e no que não faço tem sempre um pouco de ficcionado. Abraço.

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  6. Em sã consciência, alguém paga esse barqueiro?

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  7. Versos com gosto de faca ,
    fortes ... Belos e cortantes.


    Bjo.

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  8. Foi com prazer que recebi o seu registo no
    meu blogue http://plullina.blogspot.com
    Estou aqui com muito gosto.
    Convido-o a visitar o meu blogue mais
    recente:
    http://sinfoniaesol.wordpress.com
    Um beijo
    Irene

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  9. Se quiser fazer a passagem para o outro mundo... há que se pagar o mercenário barqueiro... Não se assuste caso "acordes" cego, imerso na completa escuridão. São apenas as moedas de ouro que alguém com alguma piedade colocou sobre seus olhos.

    Isso me fez lembrar "O capitão do fim", de Luiz Guilherme Santos Neves, livro que conta a passagem de Vasco Fernandes Coutinho aqui no ES.
    É impressionante ver algumas crenças que hoje nos são estapafurdias, mas que eram tidas como certeza em certas localidades ou períodos históricos.

    "Tenha medo do medo
    e de ter medo" - quantas descobertas deixariam de ser feitas se as pessoas dessem vazão aos seus medos? Talvez o Brasil ainda não tivesse sido descoberto e ainda estaria sendo rodeado por monstros do mar.

    Abraços!

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  10. O rio são nossas veias. O sangue nosso pão. A morte é a ceifadeira que espera tua vontade de viver, porque ela te deixa viver enquanto tu chamas por ela. A morte é o tempo e nos faz estremecer diante dela... Quanto mais assustados, mais risos... A morte é o outro lado do espelho e exala o nosso próprio cheiro, ri como nós e tem o mesmo olhar de curiosidade... Eu sou a morte e quem não a é?

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